terça-feira, 09 de agosto de 2022

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Não é de hoje preocupação com arma de fogo e mortes violentas de mulheres

Não é de hoje a preocupação existente com a arma de fogo e as mortes violentas de mulheres. Pesquisa realizada pelo Instituto Sou da Paz (ISP) apresenta uma realidade já de se imaginar. Todavia, agora, com dados…

Segundo o levantamento, 51% das mulheres vítimas de violência letal foram assassinadas por meio de arma de fogo. As informações foram colhidas pelos sistemas de notificações de violência do Ministério da Saúde. E existe um perfil maior identificado, apontando para a maioria de mulheres negras (70,5%).

São mulheres jovens de até 29 anos a porcentagem de 51,8. Na região Nordeste há uma concentração de 43% desse tipo de violência. A Folha de São Paulo ao externar respectiva pesquisa mostrou a desproporção dos assassinatos de mulheres negras em 7 para cada 10 mortes. O racismo estrutural ficou evidenciado, mostrando que mulher e da população preta continua com a historicidade de vulnerabilidade exacerbada. No ano de 2019 o número de mulheres negras mortas por arma de fogo dobrou em relação a mulheres não negras.

Inclusive foi demonstrado, ainda, que dentro do contexto doméstico e familiar a arma de fogo faz quase a mesma quantidade de vítima entre negras e não negras. Entretanto, fora de casa esse índice é dobrado para as pretas. A flexibilização para o uso de armas de fogo sempre trouxe uma enorme preocupação para com as mulheres, principalmente para as negras. Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que até dezembro do ano de 2020 o Brasil chegou à seguinte aritmética: 2.077.126 armas de fogo, ou seja, 1 para cada 100 brasileiros ou brasileiras.

As mulheres possuem a compreensão de que a facilidade para a aquisição de porte de armas de fogo é um perigo iminente para elas, porquanto a pesquisa Datafolha do ano de 2019 apontou que 75% das mulheres brasileiras se posicionaram pela proibição da posse de armas.

Também são do Instituto Sou da Paz algumas pesquisas mostrando que a maioria das armas usadas para o cometimento de delitos foram adquiridas no mercado legalmente. Importante medida quando acontecem as violências domésticas e familiares é a investigação de buscar encontrar ou saber se o agressor possui ou não arma de fogo, tentando-se evitar um feminicídio futuro.

O Datafolha apresentou estudo realizado em dezembro de 2018 expondo que 61% da sociedade brasileira não concorda com a facilitação para a posse de armas de fogo. Marisa Sanematsu, jornalista e uma das diretoras do Instituto Patrícia Galvão foi precisa: “Precisamos estabelecer a relação entre posse de arma de fogo e o risco de violência doméstica.”

O conceito de arma, segundo alguns dicionários, seria o objeto usado para ferir ou magoar alguém. Teria alguma similitude com o que as mulheres sofrem dentro e fora de casa?

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.