segunda-feira, 15 de agosto de 2022

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Em 2020, o Pantanal perdeu para o fogo área semelhante a do estado do Rio de Janeiro – 38.600 km².

Os períodos de estiagem em Mato Grosso têm dificultado a recuperação do Pantanal. Segundo pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a fauna do Pantanal tem grande capacidade de recuperação em alguns ambientes, como as áreas de campo inundável, no entanto, a seca frequente tem tornado isso mais difícil.

Depois de uma temporada excepcionalmente seca em 2019, os incêndios bateram recordes no ano passado, que resultaram na maior devastação já registrada na história do Pantanal.

Conforme levantamento feito por instituições ligadas ao meio ambiente, em 2020, o Pantanal perdeu para o fogo área semelhante a do estado do Rio de Janeiro – 38.600 km². O fogo consumiu desde campos naturais até florestas, em escala sem precedentes em todo o histórico de monitoramento do bioma.

De acordo com os pesquisadores, o fogo provocado pela estiagem faz parte da dinâmica natural do bioma, cujo equilíbrio depende da alternância entre períodos de alagamento e de seca. Apesar disso, esse ciclo de regeneração natural pode ser comprometido, caso queimadas tão intensas quanto as de 2020 ocorram por anos consecutivos.

Há cerca de quatro meses, o Observatório Pantanal e SOS Pantanal emitiram um comunicado alertando que os incêndios ocorridos no bioma no ano passado podem se repetir ou até se intensificar em 2021, caso as medidas de prevenção não sejam tomadas com urgência.

Um estudo feito pelos Ministérios Públicos de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso estima que quase a maior parte dos 22 mil focos de queimadas detectados pelo Inpe no Pantanal em 2020 foram provocadas pela ação humana. No ano passado, o número de focos superou a soma de 2019, 2018 e 2017. Até então, o recorde, alcançado em 2005, era de 12,5 mil focos.

Segundo a professora de Ecologia e Conservação da Biodiversidade da UFMT, Christine Strüssmann, muitos animais têm estratégias para escapar, mesmo onde há o chamado “fogo subterrâneo”, que arde sob a cobertura de turfa quando as chamas já parecem ter cessado.

Christine relata que é comum observar roedores em atividade dentro de buracos onde o chão ainda está fumegante – um exemplo dessas estratégias. Ainda assim, uma enorme quantidade de animais não resiste.

“O problema é que o tempo de duração do fogo foi muito grande em algumas áreas e, nesses casos, tanto a fauna quanto a flora têm mais dificuldades de recuperação”, pontuou.

De acordo com um estudo de impacto feito pela universidade, a taxa de mortalidade foi alta principalmente entre os répteis, concentrando mais de 79% do total de animais mortos. Destes, mais de 95% eram serpentes, sendo que 97% delas eram aquáticas. Os mamíferos foram pouco mais de 15% do total e os anfíbios, 4%. O número de aves mortas encontradas foi baixo.

 

De acordo com a bióloga Paula Valdujo, especialista em conservação do WWF-Brasil que acompanhou estudo, a grande diversidade de ambientes do Pantanal, com determinadas espécies adaptadas a cada um deles, ajuda a explicar o impacto heterogêneo.

“Áreas que nos anos passados ficaram submersas estão expostas por conta da estiagem. O Pantanal tem grande abundância de espécies aquáticas e semi-aquáticas de vertebrados, que foram as mais impactadas. A seca extrema seguida de fogo foi uma receita pavorosa para os animais que vivem na água, alimentam-se de peixes, mas sobem para utilizar a vegetação marginal”, explicou.

G1