sexta-feira, 12 de agosto de 2022

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CELLY SILVA

Davi Valle

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O projeto Reabilitação Pós-Covid-19, do Hospital Sírio-Libanês e realizado em parceria com o Hospital Referência à Covid-19, tem elevado a unidade de alta complexidade da capital mediante a  introdução de uma nova metodologia de trabalho, que visa obter a alta segura do paciente acometido por covid-19, bem como de outras clínicas que necessitam de cuidados prolongados.

Para a enfermeira e assessora da superintendência da unidade, Danilla Barros, é perceptível o ganho que as equipes tiveram com a consultoria prestada pelo hospital paulistano. “O projeto abriu os nossos olhos. Conseguimos ter uma percepção diferente porque ele não é só focado para a covid, mas sim para o tratamento complexo do paciente em toda a estrutura. Ele cabe tanto para o paciente com covid, mas também não covid. E a intenção é essa: uma alta segura, com qualidade e o quanto antes, melhor”, avalia.

 

Round

 

Um método implantado foi o “round”, que é a reunião diária da equipe interprofissional que cuida dos pacientes selecionados para participar do projeto (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais e farmacêuticos). Eles se encontram todos os dias, às 9h, para discutir o quadro de cada paciente selecionado para o projeto, um verdadeiro check-list e, além disso, planejar os próximos passos do tratamento e estabelecer metas a serem alcançadas com a terapia.

No caso dos pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), também é feito o “fast-hug”, instrumento também adotado pela equipe interprofissional para avaliar as necessidades e planejar o encaminhamento para o leito de enfermaria. O ganho é tanto do paciente, que obtém um menor tempo de internação, quanto para o hospital, que consegue fazer o chamado “giro de leito” e podendo receber outros pacientes que precisam do atendimento na unidade.

“Com o desenvolvimento do trabalho, a equipe consegue avaliar o paciente de maneira muito mais abrangente e mais efetiva, não só pelo desenvolvimento do trabalho clínico e toda a terapêutica, mas todo o processo que foi desenvolvido vai de encontro para que a gente consiga cada vez mais pensar essa lógica de rodar esse leito rápido, mas de maneira que eu possa fazer uma alta segura”, explica o enfermeiro Leonel Alcântara.

Outro ponto interessante do projeto é a previsibilidade de alta. “Desde o momento, quando o paciente entra na instituição, o médico consegue prever a média de tempo do paciente. Então toda a equipe trabalha em conjunto para realmente reabilitar e nós já tivemos vários casos de o paciente ter diminuição nessa previsibilidade e antecipar a alta”, afirma a enfermeira Vanicleia Soares

 

Alta segura

 

De acordo com Leonel Alcântara, dentro do projeto em parceria com o Sírio-Libanês, a alta segura é alcançar a meta de poder encaminhar o paciente para a atenção primária sem grandes dependências e sem risco de reinternação. “Existe um check-list aplicado em que eu consigo avaliar vários critérios, como a capacidade funcional, a responsividade, níveis de dependência. Toda a equipe faz essa discussão pensando o que é melhor, olhando pendências que ainda fazem o paciente ficar no leito e tentar acelerar esse trabalho. A equipe tem metas diárias para que, ao final do dia, ele possa pensar no que fazer e, de maneira segura, conseguir assegurar o cuidado e que o paciente consiga ir se reabilitando”, diz.

 

Pré-alta

 

Conforme a enfermeira Vanicleia Soares, juntamente com o processo de atingir a alta segura, outra prática introduzida com o projeto em parceria com o Hospital Sírio-Libanês foi a chamada “pré-alta”, que consiste em garantir que o paciente tenha um cuidador preparado para lhe auxiliar em casa. “Antes do paciente receber alta, nós trazemos o familiar, dentro de todas as normas de biossegurança, e a equipe interprofissional se reúne com esse familiar e passa todas as informações para que, em casa, ele consiga cuidar”, explica.

Segundo Vanicleia, essa é uma medida muito importante, já que havia casos de pacientes que já estavam aptos clinicamente para receber alta, mas isso não acontecia pela falta de um cuidador. “Nós tivemos alguns pacientes que a demora de alta foi a questão social, por ele não ter um cuidador. Então, a gente trabalhou para conseguir um cuidador, treinou esse cuidador para ele conseguir cuidar do paciente em casa, com a questão da dieta, da sonda”, relata.

 

Projeto Reabilitação Pós-Covid-19

 

Em agosto do ano passado, o Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), que desde o início da pandemia funciona como Hospital Referência à Covid-19, foi selecionado para participar do projeto “Reabilitação Pós-Covid-19”, elaborado pelo Hospital Sírio-Libanês, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), do Ministério da Saúde, com o apoio do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS) e do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS).

Desde então, a unidade hospitalar recebeu consultoria de profissionais do hospital paulistano, sendo que, em agosto de 2021, recebeu a visita de uma médica e de uma fisioterapeuta, que puderam conhecer de perto as instalações e alinhar de forma mais prática a proposta e os trabalhos com a equipe local.

Diferentemente do que o nome do projeto sugere, a ideia não é transformar o Hospital Referência em um local para tratamento de pessoas que já tiveram covid-19 e ficaram com sequelas, mas sim fazer essa reabilitação ainda no período de internação, evitando que a pessoa fique sequelas ou reduzindo esse risco ao máximo, fazendo a alta segura e com menor probabilidade de reinternação.