terça-feira, 09 de agosto de 2022

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Artigo:

Por Carlos Jordão;

“ Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades…”

Em 1904, no governo do presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves, que presidiu o Brasil entre (1902/1906), ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, capital do país a época, a Revolta da Vacina.

Em 1904, no governo do presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves, que presidiu o Brasil entre (1902/1906), ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, capital do país a época, a Revolta da Vacina.

O governo federal e o prefeito do Rio de janeiro, Pereira Passos, colocaram em prática um plano para tornar a capital do país em um cartão postal. A cidade possui suas belezas naturais, mas era muito suja, atrasada, esgotocorria a céu aberto, lixo amontoado, animais pastavam pelo centro da cidade, que foi praticamente reconstruído, drenaram córregos, aterraram pântanos, cortiços foram destruídos, a população pobre foi removida de suas antigas moradias, o que gerou descontentamento. Uma série se obras urbanas e sanitárias foram iniciadas.

O objetivo era fazer do Rio de Janeiro uma Paris tropical. A cidade foi urbanizada, construíram largas e modernas avenidas, como a Central, atual Rio Branco, inspiradas nosbulevares franceses. Essas obras, não só deixariam a cidade mais moderna, serviriam também como medidas preventivas para preservação da saúde da população que sofria com as doenças que assolavam a cidade naquele período, tais como: varíola, febre amarela e a peste bubônica.

Neste contexto, destacou-se o Médico e sanitarista Oswaldo Cruz, que pressionou o Governo Federal a enviar ao Congresso, uma proposta que tornava a campanha de vacinação obrigatória. Em outubro de 1904, aprovou-se a lei que instituiu a obrigatoriedade da vacinação contra varíola uma lei. Foi o estopim para a deflagração da revolta.

Os opositores do governo republicano recém instaurado, através de um golpe de Estado, politizaram sobre a campanha, disseminando notícias de que a aplicação das vacinas, mandariaa doença para o organismo das pessoas, com a intenção de causar pânico e desestabilizar o governo. A desinformação da população, somada à insatisfação com a campanha de urbanização que destruiu muito cortiços, forçando a população pobre a se deslocar para locais distantes, subir morros, foram fatores que contribuíram para a onda de saques à estabelecimentos comerciais, bonde que faziam o transporte público foram tombados, generalizando a violência entre os dias 10 a 16 de novembro de 1904.


Foto: Primeiras notícias COVID-19

Pois bem, passados mais de um século, estamos enfrentando no Brasil uma situação no mínimo semelhante. O que estamos vivendo, uma involução social, uma regressão? Em plena pandemia onde já registramos mais de 300 mil vítimas do COVID 19, uma média diária de mais de 3 mil mortes, e o que assistimos é um negacionismo da ciência, fake news dos mais variados, pessoas com receio de tomar a vacina e se tornarem autistas, outras temem o comunismo das vacinas chinesas, existem os cloroquinistas, e há os que temem virar “jacaré” também. Em toda a minha existência, nunca vi a minha mãe questionar qual a procedência das vacinas que tomei na minha infância e adolescência, nem as mães dos meus parentes e amigos.

Outros querendo exercer seu direito de liberdade de não tomar a vacina, mesmo que possa ser um infectado assintomático e saia por aíespalhando o vírus para outros, numa total falta de empatia e humanidade. O que terá acontecido com alguns seres humanos? Excesso de ideologia política, falta de Deus, fanatismo religioso?

 

Em algumas situações do cotidiano me sintodentro de um livro de História, ou como se estivesse assistindo a um filme do Revolta da vacina de 1904, se repetindo em pleno século XXI, com tantos meios de comunicação de massa, tantas informações, e estamos repetindo alguns erros graves cometidos no passado, sinto a sociedade vivendo dentro de um liquidificador ligado, onde todos se batem sem saber para onde ir nem onde vamos parar. Precisamos da vacina, seja ela da Pfizer, Oxford, da China, de Aracaju ou do Alabama.

 

Por:
Carlos Jordão, formado em Direito pela UFMT

Historiador formado pela UNIC 

Cuiabá-MT

 

 

 

 

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@jacquelinenoronha