sexta-feira, 12 de agosto de 2022

02jun2021—na-cpi-da-covid-a-medica-infectologista-luana-araujo-responde-a-perguntas-dos-senadores-sobre-sua-indicacao-para-secretaria-no-ministerio-da-saude-1622646540650_v2_900x506

CPI DA COVID

A médica Luana Araújo, infectologista que ocupou por dez dias o cargo de secretária de enfrentamento da covid-19 no Ministério da Saúde, apontou o diagnóstico precoce dos pacientes com suspeita do novo coronavírus como principal urgência no combate à pandemia no país durante sua fala à CPI da Covid no Senado.

“Existe uma dificuldade das pessoas compreenderem a diferença entre abordagem precoce de um paciente e o tratamento precoce. Um paciente com suspeita de covid precisa se abordado precocemente”.

“E o que significa isso? Ele precisa ser abordado precocemente, ter acesso ao diagnóstico imediato. E a gente sabe que existe uma dificuldade sobre isso. Ele precisa do diagnóstico imediato, ser educado sobre as medidas de isolamento social, quanto à evolução da doença e precisa ser monitorado, principalmente, contra uma situação que é a queda da saturação nos níveis de oxigênio do sangue da pessoa sem que ela perceba”, afirmou Luana “A senhora não acredita no tratamento precoce?”, questionou o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS). Ao que Luana Araújo respondeu: Eu acredito em tratamento precoce que funcione. A gente não tem nenhum. Então, não posso…”

Para Luana, faltou pactuar as decisões referentes ao combate da pandemia com todas as esferas de governo. “Eu acho que essa é uma das razões pelas quais o ministro Queiroga insistiu tanto na criação dessa secretaria, que tem por objetivo fazer essa coordenação, promover uma melhor coordenação nesse momento”. Luana usou uma alegoria militar para explicar o caso. “É uma estratégia quase que militar. Você tem um inimigo importante, e aí você começa a dispersar seus soldados, cada um faz uma coisa, como é que a gente tem força para lidar com aquilo? Não tem, então é uma questão até de bom senso”, afirmou a infectologista.

Apesar dos poucos dias no cargo, um dos temas explorados pela comissão, ela afirmou que se concentrou “naquilo que poderia fazer daqui para frente” e citou como melhorias necessárias o investimento em “uma comunicação clara com as pessoas, de forma unificada, que fale a linguagem das pessoas. Não adianta falar informações que elas não conseguem compreender, pelas mais variadas razões”, afirmou.

Segundo a infectologista, é preciso “deixar de ser uma gestão reativa e passar ser uma gestão proativa, antecipando eventuais problemas que a gente possa ter. Essas áreas são áreas fundamentais para que a gente tenha sucesso daqui para frente”, disse ela, afirmando que vê esse perfil no ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. O ministro será chamado a depor novamente à CPI da Covid (em audiência marcada para 8 de junho).

De acordo com a médica, o ministro — a quem ela buscou poupar durante o depoimento —, informou que o seu nome “não passaria” pelo crivo da Casa Civil. Simplesmente fui comunicada de que, infelizmente, essa nomeação não sairia. Eu agradeci profundamente a oportunidade de servir ao meu país, peguei minhas coisas e voltei para Belo Horizonte.”

Antes da comunicação de que não ficaria à frente da secretaria, Luana disse ter percebido que “a coisa estava se arrastando” e observado a repercussão referente a declarações que ela havia dado sobre temas como cloroquina e isolamento social. A depoente esclareceu que havia estabelecido junto ao comando do ministério o compromisso de autonomia à frente da subpasta. Isso teria sido garantido a ela pelo próprio ministro de forma “afirmativa e concreta”. “Pleiteei autonomia, e não insubordinação e anarquia”, ponderou.

“Eu sou uma pessoa assertiva, eu sou uma pessoa que acho que muita gente não está acostumada com esse tipo de posicionamento, mas eu sou uma pessoa assertiva e segura da minha competência e do que eu sei, mas, mais do que isso, eu sou segura daquilo que eu não sei.”…

A infectologista declarou ainda que “ciência não tem lado” e fez duras críticas ao debate público criado em torno da possibilidade de prescrição de medicamentos sem eficácia comprovada no tratamento dos sintomas do coronavírus.

“Ciência não tem lado. Ciência é bem ou mal feita. Ciência é ferramenta de produção e conhecimento para servir à população, priorizando a vida e a qualidade de vida. […] Ciência não é opinião. Posso juntar a opinião de 1 milhão de pessoas e ainda assim seriam opiniões. Ciência é método, feita com desenvolvimento de atividades específicas que se encadeiam para tirar de nós a responsabilidade de arcar com fatores de confusão.”

Na visão dela, as discussões sobre fármacos que não têm comprovação científica na resposta à covid-19 são uma coisa “delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente”.

“Essa é uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente. Quando eu disse que há um ano atrás nós estávamos na vanguarda da estupidez mundial, eu, infelizmente, ainda mantenho isso, nós ainda estamos aqui discutindo uma coisa que não tem cabimento. É como se a gente estivesse escolhendo de que lado da borda da terra plana a gente vai pular.”