sexta-feira, 12 de agosto de 2022

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Entregadores e motoristas prometem desligar ‘grandes plataformas’ para atuar apenas com empresas regionais, em protesto por direitos

Mobilização nacional promete ‘apagão’ dos principais aplicativos de transporte urbano e entregas por 48 horas. Ainda sem data definida, a convocação para o protesto partiu de um grupo de entregadores de São Paulo, criado pelo ex-entregador Paulo Lima, conhecido como ‘Galo’. E os trabalhadores de Mato Grosso já confirmaram adesão ao movimento, que busca denunciar a precarização do trabalho dos motoristas e entregadores de aplicativos.

Bloqueios injustificáveis, descontos de taxas acima das acordadas, corridas que não se pagam são algumas queixas que serão evidenciadas durante os protestos, aponta a responsável pela organização do movimento em Mato Grosso, Solange Menacho.

“A ideia é desligar os principais aplicativos que atuam na região e atender apenas via aplicativos locais. Faremos isso em protesto pela falta de segurança e taxas abusivas. Além disso, tem os bloqueios feitos pelas plataformas, que acontecem pelo fato de estarmos cancelando muitas viagens que, na realidade, não compensam”, desabafa.

Segundo os trabalhadores, há plataformas que informam a cobrança de até 25% do valor da corrida, porém, em alguns casos, as empresas recolhem até 65%. “Como isso acontece? Nós também queremos entender e reivindicamos o retorno da taxa ao limite dos 25%”, pondera.

Dados levantados recentemente junto às plataformas de transporte urbano apontam que cerca de 15 mil motoristas atuavam no estado até janeiro de 2021. A atualização dos dados foi prejudicada com a suspensão das atividades locais das empresas, em razão da pandemia. Segundo Solange, o número de motoristas poderia ser maior, não fossem os bloqueios e aumento de desistências.

“Em Mato Grosso, mais de 4,5 mil motoristas foram bloqueados e outros 2 mil, que trabalhavam com carro alugado, entregaram os veículos, porque os custos tornaram a atividade inviável”, relata.

A inviabilidade também afeta os usuários desses aplicativos. Nos últimos meses, as corridas ficaram mais caras e os cancelamentos mais constantes, chegando a ser um desafio para conseguir realizar uma corrida.

“Hoje, quem abastece com gás veicular ainda consegue atingir uma meta do dia, mas com dificuldade. Já quem usa etanol vive um momento mais delicado. Os cancelamentos não ocorrem porque o motorista não quer trabalhar, mas pelo fato de não ter retorno pelo serviço prestado. Por isso, pedimos a compreensão da população, para que abrace a nossa causa e venha somar com a gente, pois nós precisamos do usuário e eles da gente”, explica.

O apagão dos apps incentivará o uso de plataformas de atuação regionais. Em Mato Grosso, especialmente em Cuiabá, aplicativos como Urbano Norte, Urban Plus e Maxim serão convidadas a participar do movimento.

“Ao longo desta semana, conversarei com os donos dessas empresas e também participarei da reunião com a Federação Nacional dos Motoristas de Aplicativos do Brasil (Fenamab), na qual teremos definição da data e outros detalhes do movimento”, finaliza Solange.