terça-feira, 16 de agosto de 2022

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O pesquisador e infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ricardo Sobhie Diaz pretende começar no final deste ano a nova fase dos testes clínicos com o tratamento que eliminou o vírus do HIV, que provoca a Aids, de um morador de São Paulo.

Nessa nova etapa, a equipe liderada por Diaz vai ampliar para 70 a quantidade de participantes dos testes clínicos, sendo que 60 voluntários irão receber o novo tratamento com a combinação de medicamentos e outros 10 serão grupo controle.

“Já temos os recursos, temos a aprovação, só não começamos por causa da pandemia. Entendemos que não seria ético trazer pessoas que estão bem no tratamento com coquetel tradicional para fazer a pesquisa, expondo-as à Covid-19”, explica o pesquisador.

Na primeira etapa do estudo, cujos resultados foram anunciados em julho de 2020, os pesquisadores apresentaram o caso do “paciente de São Paulo”. O voluntário – um homem de 36 anos que prefere não se identificar – foi considerado curado após o HIV desaparecer de suas amostras sanguíneas.

Terceiro caso no mundo

O “paciente de São Paulo” é o terceiro caso registrado no mundo de cura do HIV. Além dele, outros dois casos foram reconhecidos pela comunidade científica: Timothy Ray Brown, o “paciente de Berlim”, na Alemanha, e Adam Castillejo, o “paciente de Londres”, na Inglaterra. Os dois pacientes foram submetidos a um transplante de medula óssea e se livraram do vírus que causa a Aids.

No caso brasileiro, os cientistas vinham acompanhando 30 voluntários que tinham uma carga viral do HIV bastante baixa e por isso não transmitiam a doença, mas faziam tratamento padrão com coquetéis disponíveis. O “paciente de São Paulo”, que fazia parte deste grupo inicial, recebeu um tratamento intensivo que combina o tradicional coquetel de medicamentos com nicotinamida.

“A maior barreira para curarmos esses pacientes é quando o vírus fica ‘dormindo’. No mundo inteiro, os pesquisadores desse vírus buscam medicamentos reversores da latência dele. Descobrimos que a nicotinamida acorda o vírus, vimos isso em laboratório e inserimos no estudo clínico”, explica Diaz.

Os cientistas desenvolveram uma estratégia de tratamento combinando dois tipos de medicamentos. O objetivo era despertar o vírus, tirando-o do estado de latência, para eliminá-lo em seguida. Além da nicotinamida, que é reversora de latência, foi usada a auranofina, que destrói a célula infectada.

Em dezembro de 2020, o Ministério da Saúde divulgou o boletim epidemiológico de HIV/Aids e mostrou que entre 2012 e 2019, a pasta detectou uma diminuição de 18,7% na taxa de contágio pelo HIV no país. Os números foram colhidos entre 2009 e 2019. Além disso, foi notificado também que a taxa de mortalidade da doença apresentou queda de 17,1%: em 2015, foram registrados 12.667 óbitos contra 10.565 em 2019.