sexta-feira, 12 de agosto de 2022

CB1E36CF-B15E-4588-B5B7-5A0FC2C3402A

Kyle Mackie on Unsplash

Felipe Leonel

Repórter | Estadão Mato Grosso

Maior exportador de carne bovina do mundo, o Brasil vive um cenário de menor oferta de animais para abate e elevação do custo de produção, o que deve continuar a pressionar os preços da proteína no mercado interno. O mercado já dá sinais de uma nova onda de valorização do boi, após a retomada das exportações para a China, maior importador das commodities brasileiras.

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que o mercado externo também deve continuar pressionando os preços da carne no Brasil, a exemplo do que ocorreu em 2021, com forte demanda da China.

A avaliação é compartilhada pelo economista Vivaldo Lopes. Ele ressalta que a produção de carne não está conseguindo acompanhar a alta demanda pelo produto, o que deve resultar em preços mais altos para o consumidor, principalmente durante o primeiro semestre do ano. Esse efeito deve ter um importante papel para elevar, novamente, a inflação dos alimentos.

“Esse aumento de preços é um aumento em dólar, portanto é um aumento real porque a demanda está aquecida e a produção de carne não está na mesma dimensão. Portanto, eu vejo para 2022 um cenário não muito bom para o consumidor de carne, quer seja de frango, carne suína, e bovina, mas principalmente a carne bovina que é mais popular”, diz o economista.

Além da menor oferta de animais para abate, os produtores têm que lidar com o aumento no custo de produção da pecuária, devido ao encarecimento de todos os insumos – ração, energia, combustíveis, etc. A conjunção desses fatores é a explicação para a valorização mais recente na arroba do boi, que já era comercializa a R$ 310,59 em Mato Grosso na terça-feira (11). Na praça de São Paulo, a cotação da arroba já atinge R$ 333.

A valorização da carne bovina, bem acima da renda média dos trabalhadores, tem provocado uma mudança de comportamento dos brasileiros. A carne vermelha ganhou status comparável a um artigo de luxo e perdeu espaço no cardápio dos brasileiros.

O consumo de carne bovina, que havia chegado próximo a 40 quilos por pessoa entre 2010 e 2014, recuou para 35,9 kg por pessoa em 2020. Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que o consumo de carne em 2021 ficou na casa dos 26 kg por pessoa. É o menor patamar desde 1996, quando iniciou a série história da pesquisa.